C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


MEU REI

Bendita sejas tu mãe radiante
Que abriste as pernas com um amor profundo
E despejaste esse pequeno infante;
- Mais uma cria que Deus traz ao mundo.

E que o arquiteto austero do universo
Cubra de bênçãos, saúde e carinho
Essa criança que acalento em verso
E que tu acolhes no calor do ninho.

Bem-vindo sejas, vulnerável ser!
Junto à tua mãe eu sou e hei de ser
A esperança que em ti revive...

Sendo teu guardião, teu bem-querer...
Com teu amor na certa hei de
esquecer
O pai inútil que outrora eu tive!

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 03/10/2010
Alterado em 02/04/2017


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