C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


FAXINA NA ALMA
Livrei-me dos fantasmas e amores em vão Que habitavam na minha alma exposta à sorte Suturando feridas e um profundo corte Que havia nas entranhas do meu coração. A minha mente insana que de dor gemia Até que enfim se vira livre dos tormentos Ficando imune às mágoas e os ressentimentos Que lhe deixaram trôpega, triste e vazia. Porém tudo passou, mas meu destino oculto Transformou-me num vil cadáver insepulto Lançado na sarjeta e atirado a esmo Sem rumo, sem fronteiras, sem céu nem guarida, Seguindo feito u’a folha seca pela vida; - Chorando por sentir saudades de mim mesmo! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 22/09/2010
Alterado em 21/02/2015 Comentários
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