C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


DEUSA MENINA
Teu corpo é uma ilha onde eu descanso a alma E adentro à tua água quente e cristalina Sentindo o teu suor divino de menina Que me seduz após o gozo e me dá calma. E em tua boca eu bebo o mel que me sacia Matando os meus desejos ímpares, carnais... Quisera eu não sair desse prazer jamais Para viver no ápice da santa orgia. Tocar-te é um delírio e te abraçar é um sonho De modo que a cada estrofe que eu componho Elevo-me e voando ao cume do sarcasmo Eu me deito na cama da degustação Aonde o travesseiro é feito de tesão E o lençol se embebe no teu doce orgasmo. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 22/09/2010
Alterado em 21/02/2015 Comentários
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