C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


MEU PECADO
 
Esses olhos pidões e excêntricos rubis
Convidam-me a sentar ao teu lado divino
E contemplar teu vulto feito algum menino
Que viu pela primeira vez um chafariz.
 
Deslizo a mão suave em tua derme nua
E encosto a boca quente em tuas costas frias
Notando que te tremes e te arrepias
Dizendo-me baixinho: - Meu amor, sou tua!
 
Nesse momento, então, tu’alma me escraviza
E ordena à minha boca, insana, que desliza
Por sobre os pelos d’ouro, padecendo à míngua
 
Que ela se acople à tua boca ensandecida,
Após tocar teus lábios, dê-te uma mordida
E mame alucinadamente em tua língua.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 21/09/2010
Alterado em 13/02/2015


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