C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


QUANDO ELA PASSA...

Quando ela surge ao longe, radiante...
Com seu aroma, seu jeito elegante,
Com sua silhueta ardente e bela...
Todos se curvam, prestam reverência
Àquela musa doce da inocência,
Àquela deusa escultural e bela...

Aquele olhar é tudo quanto existe,
Para alegrar o coração do triste,
E iludir às almas solitárias...
Seu passo firme cheio de vaidade...
Refaz e cria com serenidade
Centenas de paixões involuntárias.

Ela é formosa, um favo de decência!
Invólucro fugaz de onipotência,
Desperta amores, dores, e desejos...
Pois todos querem ao menos uma vez
Tocar-lhe o corpo, ser dono talvez
Dos seus abraços e profundos beijos...

Deixemos que ela passe, que se vá...
Pois seu amor nenhum mortal terá,
Matemos a paixão num só segundo...
Ela recusa a afetividade,
Pois sendo livre e amando a liberdade
Ela pertence, tão somente ao mundo!

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 24/02/2010
Alterado em 07/09/2026


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras