C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


ANJO MEU...
 
Você chegou assim como quem não quer nada
E aos poucos foi tomando o seu devido espaço
Cobrindo o meu viver com esse divino laço
Que vem dessa dengosa e glamorosa fada.
 
Seu beijo adocicado me leva à loucura,
Calando a minha voz, roubando os meus sentidos
E quando o seu sussurro chega aos meus ouvidos
Eu vôo pelos prados da eterna doçura.
 
Sou esse que se rende à sua derme nua
E fala que lhe ama sob a luz da lua
Que nos abraça enquanto lhe admiramos...
 
Que nada nesse mundo nos ceife esse caso;
- Nem fantasmas que foram nossos (por acaso)
- Nem bocas mentirosas que outrora beijamos...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 18/09/2009


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