C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


NOITES DE TÉDIO

As minhas noites são inóspitas guaridas
Aonde o mecanismo de sofrer faz parte
Das dores tumulares que semeiam arte
Num mundo nebuloso que esquarteja vidas.
 
No âmbito sombrio das minhas dimensões
Não há meigos sorrisos nem ombros amigos
E onde eu fui, em vão, angariar abrigos
Só encontrei quimeras e decepções.
 
E a cada novo dia e em cada amor buscado
Vivi terrivelmente morto e amordaçado
Numa amplidão impávida de desamor.
 
E que nada supere a dor que estou sentindo;
- Que eu viva por viver e aos outros vá mentindo
Jurando que eu respiro o néctar do amor. 
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 12/08/2009
Alterado em 21/02/2015


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras