C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


PERDOE-ME
Perdoe-me por te amar, assumo a ousadia De haver te desejado, quem sou eu pra ter Teus lábios junto aos meus e procurar fazer Parte da tua vida e do teu dia-a-dia? Eu vou te amar de longe e nesses descompassos Por trás de alguma árvore, poste, alambrado... Caminharei sorrateiramente ao teu lado Como uma meiga sobra a te guiar os passos. Disfarçarei o meu ciúme doentio Morrendo pouco a pouco na dor do vazio Que me afoga no poço desse desamor... Ao ver a tua boca n’outras se encontrando, O teu corpo sedoso n’outros se aninhando; - E eu morrendo de fome, de frio e de dor! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 24/06/2009
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