C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ALMAS FERIDAS
O tempo se passou e nunca mais nos vimos Desde aquela tristonha tarde de domingo Onde de nós somente deslizou um pingo De choro, demonstrando a dor que ali sentimos. Partimos n’outras naves rumo ao inatingível Espaço sideral querendo ser felizes Carregando conosco infindas cicatrizes Do que morrera ali de forma incompreensível. E hoje as nossas rugas fazem moradia Nas faces calejadas pela nostalgia Emolduradas pela vil fatalidade... Que desde aquela tarde nos fere e acompanha Ladeada por esse mar de fel que banha Esses dois corações que morrem de saudade. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 19/06/2009
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