C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ABAFADO
Às vezes interrogo o tempo e ele responde Que tudo foi tentado pra mudar a sorte Daquele grande amor que foi do sul ao norte Mas teve o seu final, não sei de que, nem onde. Faltou, quem sabe, aquele mimo necessário, Ou a cumplicidade - De suma importância! A ausência do carinho que cria a distância, E esta, se alimenta do desdém diário. Mas sei que tais perguntas não terão respostas, Pois quando eu me afastei e tu viraste às costas O orgulho dominou o encanto derradeiro E a dor tempera o ardor no peito de quem ama; - Teu pranto a escorrer e te ensopar a cama, - Meu choro a se abafar num frio travesseiro. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 18/06/2009
Alterado em 21/02/2015 Comentários
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