C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


SONHOS DE CRIANÇA
Teus lindos sonhos de criança se tolheram Nas laudas fraudulentas da ilusão perdida E de cada romance que tiveste em vida Somente as tuas lágrimas sobreviveram. Trocaste a ingenuidade por pérfidos beijos E deste o teu amor a quem não merecia Recebendo a visita da melancolia Em forma de bocas que te negavam beijos. E hoje te acompanha a negra solidão Cobrindo de amargura um pobre coração Que padeceu à sombra da desesperança... E a menina fechou-se para o ingrato mundo Que a deixou mofar no cárcere profundo Carpindo ao ver morrer seus sonhos de criança. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 17/06/2009
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