C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ALMA VADIA
Um dia eu te verei passar pelo que eu passo; - Tristonho cabisbaixo com a alma em prantos Sem solidários ombros, órfão de acalantos Caído na terrível dor do descompasso. E então quando buscares lenitivo porto Nos braços de outro alguém que te dê o que deste A mim, torço que surja, então, um cafajeste Que te encha de desprezo, dor e desconforto. E espero que o divino ouça este idiota, Pois sendo o arquiteto do mundo um agiota Na certa há de cobrar-te pelo que causaste... Aos que como eu caíram nas tuas ciladas E viram suas vidas chorando, ceifadas Nas pérfidas arenas que sorrindo armaste. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 16/06/2009
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