C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CONTRATO DE ILUSÃO
Fui alvo dos teus olhos, mas morri de medo Ao me apegar a eles e sofrer depois Pois a distância de anos que há entre nós dois Pode amanhã rasgar o que hoje é segredo. És linda, deslumbrante e impúbere também Portanto não devemos dar guarida à lua Nessa odisséia estranha que é minha e tua E eu acho bem melhor partir, pro nosso bem. Havia entre nós dois “contrato de ilusão”; - É tão somente química, não há paixão Nem vínculo afetivo ou ciúme – Foi trato! Porém as nossas almas cheias de carência Pularam de cabeça com a conivência Dos nossos corações, rompendo o tal contrato. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 12/06/2009
Alterado em 21/02/2015 Comentários
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