C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


BEBÊ TRISTONHO
Quem foi que te feriu, amor, que dor é essa? Não deves te entregar a quem não te merece Eleve para os céus u’a fervorosa prece E tentes ser feliz, meu bem, a hora é essa! Encontres n’outros braços um porto seguro Onde possas deitar teu rosto amarrotado Por essas tristes máculas do teu passado; - Pois se não te cuidares nem terás futuro. Embora eu já não faça parte do porvir, O meu desejo único é te ver sorrir A semear paixões e perfumar as flores Que um mundo traiçoeiro, hipócrita e sem luz Roubou-te, ou as trocou pela pesada cruz Do teu calvário, em forma de ilusões e dores. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 12/06/2009
Comentários
|