C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


FIM DE CONTRATO
Não deves te culpar pelo cruel fracasso Que se alojou nas nossas almas enfadonhas, O nosso caso foi ceifado por tristonhas Palavras que o levaram ao crucial cansaço. Ultimamente, quando nós nos encontrávamos, Faltava-nos vontade até para brigarmos E em vez de restaurar a dor e nos amarmos Ficávamos imóveis e nem nos olhávamos. Mas não guardemos mágoas nem ressentimentos, Deixemos que o futuro embale os sentimentos Que ainda nos restou na alma que inda chora... Que encontres n’outro ser o que em mim não tiveste, E esse, que chorando, a capa de fel veste Dá-te o último beijo (à testa) e vai embora. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 07/06/2009
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