C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

A FADA DE BRANCO
 
Essa risonha fada que traz com louvor
Seus sonhos de criança em risos divinais
Traduz em poesia e traços fraternais
A alma que transmite o seu real valor.
 
O seu olhar fascina, vicia e depois
Tatua o coração daquele que a deseja
Levando a sensação à boca que lhe beija
De que o céu reservou um canto para os dois.
 
E cada gesto seu transcende e enfeitiça
O âmago inequívoco que aflora e atiça
Sementes de emoção no peito de quem quer
 
Que os seus dois corações se apeguem, cresçam, somem;
- Em sendo em sua vida o derradeiro homem
E ela em sua vida a última mulher.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 28/04/2009
Alterado em 08/06/2009


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