C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


 SANGRANDO

Tu hoje me procuras e eu não vou querida
Beijar de novo a mesma boca que amargava
Quando inocentemente e faminto eu beijava
Fazendo do teu ser a luz da minha vida.

Fizeram-te chorar, lançaram-te ao marulho
Violentando o teu caráter e honradez
Por isso vou dizer-te só mais uma vez:
- Sou pobre, sou pequeno, mas possuo orgulho!

Mas se precisas de um amparo, um ombro amigo
Reúna as tuas mágoas, divida-as comigo
E deixe que te fale a minha alma exangue...

Que eu chorei várias vezes te esperando em vão
E que em cada pedaço do meu coração
Sempre existiu teu nome tatuado em sangue.

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 23/04/2009
Alterado em 12/02/2015


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