C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

DEVANEIO

Nessa triste morada – Ninho de terremotos!
Aquele mesmo abrigo onde tu habitaste
Abri o guarda-roupa e por trás de uma haste
Encontrei velhas cartas, bilhetes e fotos.

A angústia se apossou da minha frágil alma
E o tédio aproximou-se do meu estro frio
Causando-me tristeza, dor e calafrio
Roubando-me os sentidos, a vida e a calma.

Um filme se passou rapidamente em mim;
Senti o teu perfume, beijei teu carmim
E olhei pra nossa cama cheio de saudade

Sentei-me na cadeira da desesperança,
Chorei a tua falta feito uma criança
E vou senti-la em mim pela eternidade.

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 14/01/2009
Alterado em 21/02/2015


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