C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


FOLHAS SECAS
Carregues junto a ti as pálidas lembranças Do que fomos nós dois num pálido passado Onde nós caminhávamos no vasto prado Como se fôssemos dulcíssimas crianças. Eu guardarei comigo os sonhos construídos Nos alicerces frios da intrépida dor Que rasga as minhas carnes nesse dissabor Lançando-me aos sepulcros dos desiludidos. Desejo-te que encontres tudo o que busquemos; - O lenitivo porto que nunca tivemos E o ombro afetuoso que possa enxugar... Lágrimas incessantes que acompanharão Esses dois corpos frios pela imensidão; - Iguais a folhas secas com o vento a levar. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/01/2009
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