C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


MENINA DE RUA
Tragada pelos guetos do lesbianismo, Perambulando pelos botecos e bares Amarga o eterno pranto à sombra dos pesares E cava com seus pés um horroroso abismo. Um certo dia alguém lhe ofereceu guarida Levando-lhe guardada sob a sua asa, Deu-lhe banho, comida e a hospedou em casa Oferecendo um novo rumo à sua vida. Mas tudo foi em vão e ela tudo estranhava, Perfumes, roupas caras, tudo que ele dava Não conseguiram alegrar a sua alma nua E ela seguiu seu rumo, suja e fedorenta Continuando a sua jornada nojenta Feliz, voltando a ser a menina de rua! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 12/12/2008
Alterado em 21/02/2015 Comentários
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