C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


BEIJO FRIO
 
Teu beijo está tão frio que até tenho medo
De te fazer perguntas ou te julgar mal
Mas sinto que esse ósculo é o vil sinal
De alguma coisa que precede o meu degredo.
 
A tua impaciência denuncia o frio
Que a tua alma sente mesmo estando ao lado
Do corpo que por ti foi tão idolatrado
E hoje se prostra inerte no leito vazio.
 
Se tens algo a dizer que o faças sutilmente
Sem mágoas nem rancor, prometo inutilmente
Tentar colar pedaços do que se quebrou...
 
Porém sejas leal e eu sincero serei
Mesmo sabendo o quanto que te magoei
Nos beijos que neguei e a esse amor matou.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 14/11/2008


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