C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


FANTOCHES
Mesmo sabendo que tu mentes quando dizes
Que me amas e que eu sou a tua estrela-guia
Eu vivo nesse mundo imerso em fantasia
E também minto ao dizer que somos felizes.
O tempo vai passando e nada construímos
Além desse castelo de farsas ocultas
E aquele antigo amor lançado em catapultas
A cada nova fase em que nós dois mentimos.
Mas tudo bem, o mundo é um infeliz teatro
Onde os grandes atores procuram “de quatro”
A tal felicidade em sua imensidão...
E enquanto não se tem aquilo que apetece
À alma e nos conforta, e assim nos enobrece,
Seguimos, feito fantoches de mão em mão... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 02/11/2008
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