C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


RESTO DE MIM...
Queria te encontrar um dia por acaso
E te falar de coisas que não foram ditas
Nos dias de glamour, madrugadas benditas
E tudo que embalou o nosso doce caso.
Mas deves ser de outro, o tempo não perdoa
Nem sente dó de quem lamenta o que perdeu
Nas curvas de um destino que surpreendeu
Quem já viveu de amor e hoje falece à-toa...
Na verdade nem quero te reencontrar
Não quero novamente ter que suportar
A tua frigidez que me roubava à calma...
Aprendi com os meus erros vastos e diários
Que só devo viver de beijos voluntários
E abraços fornecidos com as ordens da alma. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 28/10/2008
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