C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


LÁGRIMAS OCULTAS

Aquele que não chora certamente esconde
A senha mais secreta que sua alma guarda
No âmago sombrio do coração que aguarda
Um amor que se evadiu sem ninguém ver pra onde.

Eu choro e choro tanto envolto em meu fracasso
Que a cada nova lágrima que se despede
É nada mais que um grito do meu ser que pede
Que eu valorize a vida, coisa que eu não faço.

Mas todo amor que é grande só é grande mesmo
Se os dois amantes vivem lamentando a esmo
Por se sentirem menos amados que são...

A pérola advém do vago sofrimento
Da ostra, e o profundo amor vem no momento
Que se chora de mãos dadas com o coração.

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 24/10/2008
Alterado em 19/02/2015


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