C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


TREVA E LUZ
Tu foste em minha vida a última cobiça...
Meu último suspiro e o penúltimo porto,
Minha cama de tédio, dor e desconforto
Transformando-me em negras nesgas de carniça.
Foste meu paraíso e minha babilônia,
Meu íntimo desejo e até minha impotência!
A deusa piedosa e a bruxa sem clemência,
Meu sono mais profundo e hoje a minha insônia.
Tu foste o meu caminho e a minha perdição,
A madrasta malvada e a mãe com o coração
Que me serviu de abrigo em seu seio materno
Enfim, tu foste tudo e nada ao mesmo tempo;
- O mais profundo amor e um mero passatempo,
O inferno do meu céu e o céu do meu inferno.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 24/10/2008
Alterado em 10/02/2015 Comentários
|