C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

MINHA MENINA
 
Eu bebo em tua boca a glicose que invade
As veias ressecadas de alguém que sofria
Trancafiado em celas de melancolia
Com enormes cadeados feitos de saudade.
 
Quando estou dominado por tuas carícias
Penetrando-te o âmago com os meus desejos;
- Minhas carnes te abrem com meus doces beijos
- Tuas pernas me prendem com tuas delícias...
 
E assim vamos seguindo pela estrada afora
Regando o sentimento que em nós dois aflora
E alimentando o sonho que em nossa alma arde...
 
De ser na vida de outrem a ilusão fagueira
Caçando àquela paixão doce e verdadeira
E sepultar de vez um ex-amor amor covarde.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 29/09/2008


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