C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


MENDIGO DE LUZ
 
Eu vivo a mendigar o amor de pego em pego
Feito um zumbi tristonho querendo ocupar
Féretros insepultos que vivem a vagar
Sozinhos como eu (além de louco, cego).
 
Sento-me nas calçadas, como cacarecos...
Tranco-me em banheiros de rodoviárias
E choro as minhas mágoas e dores diárias
Enxugando meu pranto à sombra dos botecos.
 
E a cada novo dia, a cada madrugada
Eu vivo por viver, mas não produzo nada
A não ser poesias que ao beber eu digo...
 
 
Resta-me, doravante, u’a catacumba fria
Pra acalentar, com os vermes, minh’alma vazia
E acabar de uma vez a saga de um mendigo...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/09/2008
Alterado em 13/09/2008


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