C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ANJO SERESTEIRO
Calou-se a voz que outrora aliviava as dores
Em férvidos acordes de notas sensatas
Que ecoavam pomposas nas vãs serenatas
Sepultando fantasmas e exumando amores.
Seu violão, choroso, que perdera o brilho
Lamenta em seu silêncio a perda do seu pai
Que frio e enrijecido à fotosfera vai
Sem ter se despedido do querido filho.
E resta nessa fúnebre e horrorosa ida
Os fios da saudade e o eco da partida
Enegrecendo o azul anil de um mar de pranto...
E que Deus o receba com loiros de festas
Permitindo que o céu festeje com serestas
A chegada de um mito e o seu mimoso canto.
Homenagem póstuma a Waldik Soriano, considerado pela mídia internacional como “O Frank Sinatra Nordestino”. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 06/09/2008
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