C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


PONTO FINAL
 
Se quiseres deixar-me, deixes, vou pra sala
Já que das várias brigas também ando farto...
E fiques no silêncio desse horrendo quarto
Arrumando essa triste e pesarosa mala.
 
Não vou pedir que penses ou mudes de idéia
Pois nada mais existe além de soledade...
Façamos a partilha, leves a saudade
E deixes que eu deguste a minha cefaléia.
 
Por tudo nessa vida pagamos um preço
Mas sei que não mereces nem também mereço
Esse fardo pesado no nosso caminho...
 
E que o tempo castigue a ti e a mim também;
- Que vivas mendigando o carinho de alguém
E eu viva eternamente a mendigar carinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 26/08/2008


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