C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


FRAGMENTOS
Assim ficamos nós quando morrera o fado Que em nossa opaca vida tanto luz trouxera; - Eu sendo um vasto prado sem ter primavera E tu - u’a flor sem vida em bosque abandonado.
Seguimos por caminhos mórbidos sem cor Buscando maquiar a dor que nos devora E enquanto estanco o pranto do peito que chora Sustento-me nas gotas de saudade e dor.
Antigo amor, pavor é quem me rasga os dias E em ébrias madrugadas, nas camas vadias A todas que me beijam eu juro que as amo...
Mas cuido de fechar os olhos ao falar Já que meu coração faz questão de lembrar Que abraço o alfabeto, mas teu nome eu chamo. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 25/08/2008
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