C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


DESENCONTROS
Por que um dia eu fui cruzar o teu caminho
E por que foste um dia pelo meu passar?
Se em tua vida tu sozinha hás de ficar E eu no meu sofrer hei de viver sozinho?
Se ao menos eu pudesse te levar pra um canto
Onde ninguém soubesse quem éramos nós
E assim podermos viver esse amor a sós
Sem nunca mais deixarmos te fluír o pranto.
Mas já que é impossível te afagar o rosto
Tu vais morrer vazia e eu talvez de desgosto
Tentando te salvar desse lago de engano...
As nossas vidas vivem farsas do destino;
- Tu sendo a mola mestra do meu desatino
E eu sendo a gota d’água do teu oceano! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 20/08/2008
Alterado em 20/08/2008 Comentários
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