C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


MERETRIZ
Essa menina que hoje vaga pelas ruas
Sem teto e sem guarida se vendendo à-toa
É nada mais que um triste pássaro que voa
Com seu short colado e as suas costas nuas...
Afaga a quem der mais e finge ter orgasmo
Ao abraçar seus donos por alguns instantes
Deitando-se em mil camas com seus mil amantes
E usando o travesseiro frio do sarcasmo.
E depois de mais uma luta que se encerra
A ninfeta retorna cansada da guerra
Adentrando seu quarto de recordações
Mergulhando na cama fria que lhe espera
A coitada retira a máscara de fera
E vai dormir vazia em cima dos tostões. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 20/08/2008
Alterado em 20/08/2008 Comentários
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