C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CORTEJO FÚNEBRE
Nas visões cruciais das casas funerárias Eu vejo a toga que vestir-me-á por certo Levando-me ao sombrio e horrífico deserto Incerto e desastroso em pragas secundárias. E o homem que ali vive à custa de outras vidas Será o mesmo que medir-me-á sem pena Usando em suas mãos a tenebrosa trena No féretro, tirando as últimas medidas. E o ataúde segue inerte e irrisório Rumo às hipocrisias (normais n’um velório) Sob um coral de choro num balé estático E o animal que outrora fora alguém na história Virará lama podre, sem cor nem memória Contaminando a alma do lençol freático. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 16/08/2008
Alterado em 02/11/2014 Comentários
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