C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

CATARSE
 
Beijei diversas bocas, vários corpos tive...
Abracei, me doei, pensei que amando estava
Mas o fracasso sempre pela porta entrava
Dizendo que quem ama mais sozinho vive.
 
E eis que de repente em meu viver mundano
Deparei-me com o teu olhar de formosura
Banhando-me no teu riacho de doçura
Que tirou de minh’alma o padecer profano.
 
Eu nunca serei teu nem nunca serás minha
E nesse vasto mundo serás a rainha
Daqueles que como eu carregam cicatrizes
 
E vez por outra estamos nessa eterna fuga;
- Eu maquiando o tédio que te centrifuga
- E tu me dando algumas horas mais felizes.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 06/08/2008
Alterado em 22/02/2015


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