C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

LADO A LADO
 
Na árdua caminhada que fazemos juntos
Fingindo maquiar o antigo sentimento
Aumenta a cada instante o nosso sofrimento
Fazendo de nós dois, incrédulos defuntos.
 
Tristeza, ansiedade, solidão e tédio
Inserem-se no nosso vil cotidiano
Calafetando o nosso viver desumano
E aumentado essa dor sem cura e sem remédio.
 
E quando os nossos olhos, às vezes, se encontram
Os restos de nós dois, chorando, se confrontam
Nesse jardim macabro onde nada floresce...
 
Não existe vontade ao menos pra brigarmos
E eu vejo a qualquer hora nós nos enforcarmos
Na árvore sinistra que em nossa alma cresce.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 30/07/2008
Alterado em 30/07/2008


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras