C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


TREVA E DOR
 
Teus beijos desgraçados tornaram-se um vício
E os teus abraços, mesmo frios, me amputaram
Os membros, que em falências múltiplas tombaram
E me atiraram nesse imenso precipício.
 
E mesmo nesse mar de adagas cruciantes
Que rasgam minhas carnes e o meu sangue espalha,
A minh’alma não teme o gume da navalha
E chama por teu nome em todos os instantes.
 
És tu em minha vida a chaga que mais dói
E o osso mais cruel que a minha boca rói
Na lembrança que embala o irrequieto sono
 
Daquele que se deita na cama de dor
Usando o travesseiro frio do dissabor
E cobre-se com o manto do teu abandono!
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 28/06/2008
Alterado em 22/02/2015


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