C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


ECOS DA ALMA...
 
Sentei-me no porão da minha mocidade
E revirei baús, gavetas e sacolas
Em busca de lembranças, ou até mesmo esmolas
Que pudessem dragar meu lago de saudade.
 
Meu pranto se espalhou se transformando em rio
E os cotovelos rotos no balcão da dor
Testemunharam, rijos, a dor de um amor
Que ecoa soberano nesse ser vazio.
 
Após algumas horas de introspecção
Apoiei-me na clava da desilusão
E subi no batente da desesperança...
 
Para assistir o tempo consumindo tudo;
- O meu último riso e o coração miúdo
Dilacerando em vida os sonhos de criança...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 28/06/2008


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