C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

CAMINHANTE
 
Pra que querer saber se eu ando bem ou mal
Ou se possuo alguém nessa fria existência?
Atenhas-te à funesta e sepulcral falência
Daquele antigo amor que se tornou letal.
 
Eu não quero saber se tens alguém, não importa
Se outro “ser” ocupa o canto que foi meu
Pois todo sentimento que havia morreu
No instante que passaste por aquela porta.
 
Mas pra matar a tua curiosidade
Sinto-me no dever de falar-te a verdade
Sem mágoas, desavenças, vinganças ou dolo...
 
Depois que a antiga dupla se esvaiu no erro,
Sem querer mais sofrer no poço do desterro
Eu mergulhei de cara na carreira solo.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 27/06/2008


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