C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


SANGRIA
 
Artérias que se rompem nos porões das pragas
E as células falecem no amargo fracasso
Daquele antigo amor que morreu de cansaço
Nos paredões sombrios das longínquas chagas.
 
Estendo a vista pelo pranto que me invade
E a íris embaçada cansa e se escurece
Nas órbitas funestas onde o olhar padece
À penumbra que cerca o leito de saudade.
 
E ao punho quase morto restam dois minutos
Pra que seus dedos frágeis, trêmulos e astutos
Rasurem poucas frases em letras de fel...
 
Deixando ali exposto toda dor que existe
Num coração sangrando que se deita triste
E deixa sua morte impressa no papel.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 24/05/2008


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