C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


PENA MÁXIMA
 
Padece quem se torna escravo da saudade
Causada pela perda súbita de alguém
Que um dia lhe causou inexorável bem
E hoje lhe rega à planta da infelicidade.
 
Definha-se em tormentos quem perdeu amores,
Tal qual a espada aguda, astuta e impiedosa
Que ao remover espinhos também fere a rosa,
Matando-a lentamente num jardim de dores.
 
E essa palavra horrenda, ferida trissílaba,
Faz-nos morrer sem pronunciarmos u’a sílaba
Que cause comoção ao carrasco ilusório
 
Sentenciando-nos à sombra da masmorra
Chicoteando a alma até que a mesma morra
Sem ter ampla defesa nem contraditório.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 23/05/2008


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