C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos


NEGRA FACE

Que devo celebrar se em minha trajetória
O escárnio, o abandono e a discriminação
São estacas pontiagudas em meu coração
Borrando com meu sangue essa maldita história.

Se existe um ser supremo que ao céu nos conduz
Na certa está punindo a minha alma errante
Por um crime hediondo, vil e horripilante
(Quem sabe, atirar pedras em sua santa cruz)

Quisera que o meu fim, enfim logo chegasse
E assim eu não sofresse mais e me livrasse
Desse pesado fardo que deixa rastilhos

Na lôbrega metástase que me consome
Ao ver a catastrófica face da fome
Estampada nos olhos tristes dos meus filhos.


Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 25/12/2020


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