C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CÃO SEM DONO
Sonhando a noite inteira com a imagem tua Acordei soluçando de mágoa e saudade E fui cambaleante andar pela cidade Até chegar em frente à casa que foi tua. Sentei-me no batente e com os olhos vermelhos Verti copiosamente meu choro rasgado Num um grito horripilante, quase que engasgado Que formou uma cascata sobre os meus joelhos. O tédio e a sensação terrível de impotência Lançaram-me nas covas rasas da demência E o epitáfio assim dizia: “Cão sem dono” Ceifando sem clemência o que sobrou da vida De quem adoeceu com a dor da tua ida E morreu nas procelas do teu abandono. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 24/04/2019
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