C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


VIGA MESTRA
Ao meu Tio Anchieta Im Memoriam Transpõe, em passos trôpegos, a cruel muralha E explora o amplo prado, ebúrneo e misterioso Rumo ao espaço etéreo, vasto e majestoso O infante que tombou no campo de batalha. O toque de silêncio denuncia a ida Do indômito guerreiro aos páramos da glória Que lacrou seu legado em cada vã memória Dos que lhe emolduraram tão gloriosa vida. A certeza do reencontro é o que conforta A quem crê que ao cruzar a derradeira porta Um gênio o abraçará, sorrindo e em tom faceiro Lhe afagará, cochichando com lealdade: - "Que bom que a mim vieste, estava com saudade Do meu antigo amor e eterno companheiro..." Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 23/03/2019
Alterado em 23/03/2019 Comentários
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