C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


MOTE
TANTA GENTE QUE SE AMA E NÃO ESTÁ JUNTO TANTA GENTE QUE ESTÁ JUNTO E NÃO SE AMA GLOSA
Paixões efervescentes mortas em conjunto E amores que se vão em pálidos instantes Fazem-me ver no estreito mundo dos amantes TANTA GENTE QUE SE AMA E NÃO ESTÁ JUNTO O âmago romântico, frágil e disjunto Afoga-se no pranto que lhe ensopa a cama Enquanto almas distantes alimentam a chama Do incondicional amor que nunca morre E a solidão a dois mata e ninguém socorre TANTA GENTE QUE ESTÁ JUNTO E NÃO SE AMA. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 26/07/2015
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