C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


A FUGA...
Travam-se muitas vezes batalhas inúteis No vasto interior sinistro e claustrofóbico, Submergindo o “eu” carente e hidrofóbico Nos mar mediterrâneo dos amores fúteis... E o descontentamento é público e notório Na reciprocidade do amor que não sentem... Amam-se com as bocas, mas os olhos mentem Na escuridão do orgasmo insosso e transitório... Não há como fugir da fortaleza erguida Em volta do que um dia se chamou de vida, Quando essa era vivida em pompa e onipotência... E cumpra-se a sentença em pavilhões de dores; Veladas com as lembranças de antigos amores, Na pedra tumular que lacra a consciência... (Nizardo) Poesia registrada Xerinho.
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 25/01/2007
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