C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


CALOS DA ALMA
Gritante e animalesca dor que me devora No âmbito sombrio da desesperança E eu gemo, grito e choro feito uma criança Perdida e desolada pela estrada afora. E nada resplandece em meu plantio de outono Somente árvores negras de repugnância Trazidas junto a mim desde o jardim da infância No vácuo horripilante de um triste abandono. E nesse mausoléu onde meu ser padece A minha alma infeliz baixa a cabeça e desce Levada por punhais letais subcutâneos Às negras profundezas do desconhecido Conduzindo consigo o coração ferido Pra sepultá-lo nos jardins subterrâneos. Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 12/06/2009
Alterado em 14/02/2015 Comentários
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