C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ALGOZ
Tombei sem reação e aqui estou sem vida, Aquela mesma vida que outrora eu vivia Vivendo em tuas mãos escravo da magia Negra, que enegrecera minh'ama sofrida.
E o último suspiro agora será dado Distante dessa boca que me maldizia Bem longe desses olhos que nunca me via E do teu coração perverso e indelicado.
Cuspiste em minha boca que tanto te deu Os mais sinceros ósculos do peito meu E os âmbitos mais puros da minha guarida
Eu me decomporei à espera de algum verme Que me dará um amor ao comer minha derme; - Maior do que o teu ao me comer em vida! Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 03/06/2009
Alterado em 21/02/2015 Comentários
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