C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

MINHA DOR...

Teu beijo traidor denunciou que o teu
Amor tinha morrido e eu não tinha visto
Que tal qual Judas fez quando vendeu o Cristo
Também vendeste o sentimento que era meu.

Feriste-me com a ponta de um estupendo sabre
E abriste em minha vida covas de amargura,
Como fui tolo ao confiar numa fechadura
Entregue à própria sorte e qualquer chave abre.

Mas se hoje eu bebo o fel e vivo na desgraça
Amanhã te darão o mesmo em negra taça
Lançando-te aos porões da mesma dor que invade

O peito que se rasga de tristeza e dor
Do homem que falece à falta desse amor;
- O único que tu tiveste de verdade!

Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 24/04/2009


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