C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley

Nizardo Wanderley

Cavaleiro Solitário

Textos

ILUSÃO
 
Perguntam-me se te amo ou se apenas me engano
Fingindo ter, quem sabe, um amor que não existe
Pra maquiar a dor que a todo custo insiste
Em me afogar no mar de dor e desengano.
 
O meu silêncio predomina e só responde
Com um meigo olhar que diz o que meu peito sente
Mas confesso que o meu riso discreto mente
E mostra que de todos minh’alma se esconde.
 
Também não sei se estou feliz ou iludido
Só sei que em cada novo momento vivido
Eu vivo intensamente o que o mundo vem dando...
 
E é isso que me importa – Viver o momento!
Sem mágoas, sem cobranças, sem dor, sem lamento
E se eu estou sendo usado também estou usando...
Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 22/09/2008


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras