C'est Fini... O odor da flor em dor que em meu jardim sinistro Desabrochou e permitiu que os beija-flores Partissem sem deixar vestígios nos sensores De presença, no vão sombrio que administro. Recolho-me à minha insignificância E inundo com meu pranto o páramo sidéreo Que me devolve em canto lírico e funéreo Os restos do que eu fui ecoando na distância. E assim hei de vagar por toda eternidade, Mascote do fracasso e escravo da saudade Com o âmago sangrando a tiritar de frio Convivendo em necrópoles com os que morreram Em vida e suas células apodreceram À sombra cruciante do cipreste esguio. Nizardo Wanderley


ALMA FRIA
Não sei se tu me queres ou apenas gostas
Do jeito carinhoso e doce que eu te trato,
Mas certamente o tempo me dará respostas
E assim eu saberei o que eu sou teu de fato!
Tu nunca estás comigo quando a solidão
Arromba a minha porta, quebra fechaduras,
Apunhala-me as costas, me produz loucuras
E chuta os alicerces do meu coração...
Sequer tu telefonas pra saber como anda
O homem que te mima e muitas vezes manda
Os dedos calejados ligarem pra ti...
Eu não vim te cobrar, mas minh’alma reclama!
E se um dia acordares sozinha na cama;
- Senti-me abandonado, por isso parti... Nizardo Wanderley
Enviado por Nizardo Wanderley em 13/09/2008
Alterado em 13/09/2008 Comentários
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